domingo, 25 de outubro de 2009

Medo que da medo do medo que dá.

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão
Medo de fechar a cara de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"Lá fora um grilo grita a sua despreocupação e tudo é calmo, ameno dentro dessa casa. Parece que tudo está fechado e protegido por uma redoma de vidro finíssimo e o calor torna os movimentos ainda mais pesados; mas não há calma dentro de mim. É como se um rato estivesse roendo a minha alma, e de uma maneira tão imperceptível que até parece suave. Não estou mal e também não estou bem, a coisa preocupante é que ‘não estou’."
100 escovadas antes de ir para a cama
Tolo. É desmedido. É desmedido demais. Exagerado. Chega ao ponto do ridículo, porque parece forçado. Chega ao ponto do engraçado, por ser de uma ingenuidade sem precedentes.
Tolo. A telepatia ainda não foi comprovada, e ele não sabe que seu bradar de teclas nervosas pode estar sendo em vão. Nunca cogitou a hipótese de que todas suas palavras, tão lidas, tão comentadas e celebradas têm uma enorme chance de não estarem surtindo efeito nenhum, justamente porque o destinatário está em todo lugar menos no alvo das suas flechas.
Tolo. Assim, ele estufa o peito e vai. Manda e-mail, scrap, liga, cutuca, ou grita. Ele não se importa muito com o sucesso no final da empreitada, pois sabe que o sucesso está no processo, que a emoção está na perseguição e que a resposta, na pergunta, quase sempre.
Tolo, mas um tolo que sabe que o único amor sincero, desmedido, exagerado e insensato é, curiosamente, aquele mais comum: o platônico. Mas esse mesmo amor não é dotado da capacidade de mover montanhas. A amizade sim, o amor de mãe, mais ainda. Mas o platônico não move um grão de areia. Ele termina no mesmo ponto em que começou, no quarto, no computador, na espera sem motivo e na nuvem de angústia que jamais precipita sobre a sua cabeça. O amor platônico inspira os poetas, motiva os cantores, dá rumo aos que estão perdidos, ao mesmo tempo em que os adoece, os mata, lhes borra o sentido da existência.
Tolo é aquele que, mesmo achando já ter ido longe demais, quer ultrapassar o sentido do "além". Quer ver por detrás da curvatura da terra o fim da linha, o muro, o buraco, o abismo ou a bifurcação. Não importa. Ele quer ver algo novo, que o tire da roda-viva de acordar-comer-dormir-repetir.
Tolo que procura a tolice, por julgar a coesão politicamente correta demais.
Tolo, por saber de tudo isso, inclusive dissertar prolixamente sobre tudo isso, e ainda continuar sendo, por assim dizer, um tolo.
Por Lucas Silveira

sábado, 10 de outubro de 2009

Nada de tentar entender. . .


E seus traços são mais comuns do que eu podia imaginar, a cada dia um novo rosto que vejo me remete a você, é como se um turbilhão de coisas passasse de uma só vez na minha cabeça.
Devo confessar que notar isso, serviu simplesmente para reforçar o que há tempos já sabia, você era especial, afinal se tua fisionomia era assim tão comum, se quando te vi pela primeira vez você me pareceu tão diferente dos demais, talvez em você eu tenha enxergado o tal algo mais.
Desde então e diante da impossibilidade de observar seus traços novamente me resta à memória, ou os rostos parecidos com os quais cruzo sempre em meu caminho.
Quando na verdade isso não me basta.
Será que nas nuvens eu encontro seus traços? Somente os seus.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

- Vê dezenas de doses de amnésia, grande!

Esquecer. Apagar. Tirar da memória de vez. Nascer de novo.
Feito página em branco esperando pela melhor história, pelo melhor capítulo.
Esperando grandes acontecimentos, com medo de trazer consigo a mesma lengalenga morna das outras páginas. O mesmo roteiro manjado. As falas já decoradas.
Erros de percurso. Outros rumos. Perseguições arrepiantes. Grandes explosões. Tempestades infinitas. Paixões, amores perigosos. AÇÃO. É isso que falta.
Vida. Vida. Vida.
Pulsando freneticamente nas veias.
Taquicardia, cabeça a mil.
Êxtase.