domingo, 13 de fevereiro de 2011

Vai sim.

No caminhar dos ponteiros do relógio da Central, depois de três ou quatro luas cheias, no dia seguinte em que aquele filme sair em DVD, quando o seu cabelo crescer dois dedos e nascer uma flor no pé de maracujá, vai passar.
Se contar com a companhia de amigos com quem você possa chorar ou dar risada (a escolher) passará mais rápido. Se tiver sorvete de chocolate no congelador passará ligeiro. E se tomar com calda de caramelo passará como um raio.
Às sete da manhã, vai passar. Quando começar a fazer calor, vai passar. Depois que você chorar a última de tantas lágrimas, vai passar. Como um mantra, vai passar.
Eu sei que agora está doendo e que é uma dor tão profunda que fica difícil acreditar que um dia ela não estará mais aí, apertando suas costelas e molhando seus travesseiros. Mas vai passar, eu garanto. Se não for por um golpe de sorte, será por esforço e merecimento. E, se tardar, por necessidade e instinto de sobrevivência, vai passar.
Aí você vai pensar no dia de hoje como se ele pertencesse a uma vida passada, há muito tempo, lá longe. O importante - pode confiar - é que você estará tranqüila, sem o assombro nem os olhos tristes de agora.
Em nome da nossa amizade: vai passar, eu juro - beijo os dedos em xis.
(adaptado de Rosana Caiado)

PS 1. Que passe sem deixar graves sequelas. É só o que desejo. É só o que posso esperar.
PS 2. Através de outras palavras e por outros gestos, foi exatamante essa mensagem que vocês transmitiram ao meu coração ontem.
Obrigada mesmo.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Ai Caio Fernando [parte 2]

" Ficar bem nem sempre deixa outras opções. (...) No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se… Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser."

Ai Caio Fernando

" - Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era doença e solidão e loucura e podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguiria viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a última gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas nojentas. Amor não mata. Amor não destrói. Amor não é assim. Aquilo é outra coisa."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crescendo...

E hoje enquanto buscava formas de te manter presente, me deparei com uma frase, pequena e impactante frase, que me fez em questão de segundos desmoronar. Por tudo que ela envolve e por você tê-la aceito.
Acho que mais por tê-la aceito. Foi para mim como o xeque-mate no xadrez, a hora derradeira num romance.
Entendi, embora não sem dor, de uma vez por todas que assim será.
Este é teu caminho. Tua escolha. Tua tão sonhada felicidade.
Resta a mim o consolo dos bons, e inesquecíveis momentos vividos, sei que muitas circunstâncias se repetirão, porém tantas outras, tão importantes quanto, não.
Alguns sonhos ficarão pelo caminho, mas são meus, eu saberei como ajeitá-los, reinventá-los.
Trilha teu novo caminho. Conte comigo sempre que quiser ou precisar.
Só não me prive de chorar sempre que doer.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011


                                                                                                                         fonte
Dói. E quando acho que enfim esta me deixando, volta. Dói. Nem estratégias, nem razão. Nada disso tem efeito. Continua a doer.

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Havia uma menina. Fios coloridos sendo embalados pelo forte vento. Unhas rosas em dedos trêmulos. Era difícil escrever.
O que ela trazia no peito, de colorido nada tinha. Era no máximo cinza. Isso a incomodava. Não gostava da ideia de trazer consigo sentimentos sem cor. Sem beleza.
Mas o que era cor e beleza? Naquele instante de cegueira não saberia definir.
Aliás do que menos precisava naquele momento era de definições. Queria mesmo se livrar de toda mesquinhez e egoísmo. Para isso devia primeiro aceitar que aqueles sentimentos eram indícios de egoísmo.
Desapego. Era isso, precisava se desapegar daqueles sentimentos.
O primeiro passo talvez fosse parar de justificar a dor. Nada de ‘não é isso, nem aquilo’. É dor oras. Desde quando dor também precisa de justificativas?
O jeito era, como naquele filme, mergulhar na dor, sentí-la e depois jogar fora. Bom seria se fosse simples assim.
E se esse desapego causasse ainda mais distância? Talvez ele fosse a solução para diminuir o abismo na verdade.
Ah o abismo, o medo de que tais sentimentos sem cor trouxessem de brinde um abismo gigante e pior um irremediável abismo.
Deve ser esse ideia assustadora que faz a menina se fechar em seu pequeno mundo (o que, claro, só piora) e em horas de solidão derramar rios de lágrimas. Abismo entre rochas um dia tão unidas.