No caminhar dos ponteiros do relógio da Central, depois de três ou quatro luas cheias, no dia seguinte em que aquele filme sair em DVD, quando o seu cabelo crescer dois dedos e nascer uma flor no pé de maracujá, vai passar.
Se contar com a companhia de amigos com quem você possa chorar ou dar risada (a escolher) passará mais rápido. Se tiver sorvete de chocolate no congelador passará ligeiro. E se tomar com calda de caramelo passará como um raio.
Às sete da manhã, vai passar. Quando começar a fazer calor, vai passar. Depois que você chorar a última de tantas lágrimas, vai passar. Como um mantra, vai passar.
Eu sei que agora está doendo e que é uma dor tão profunda que fica difícil acreditar que um dia ela não estará mais aí, apertando suas costelas e molhando seus travesseiros. Mas vai passar, eu garanto. Se não for por um golpe de sorte, será por esforço e merecimento. E, se tardar, por necessidade e instinto de sobrevivência, vai passar.
Aí você vai pensar no dia de hoje como se ele pertencesse a uma vida passada, há muito tempo, lá longe. O importante - pode confiar - é que você estará tranqüila, sem o assombro nem os olhos tristes de agora.
Em nome da nossa amizade: vai passar, eu juro - beijo os dedos em xis.
(adaptado de Rosana Caiado)
PS 1. Que passe sem deixar graves sequelas. É só o que desejo. É só o que posso esperar.
PS 2. Através de outras palavras e por outros gestos, foi exatamante essa mensagem que vocês transmitiram ao meu coração ontem.
Obrigada mesmo.


