O cenário é comum. Um pé de amoras. Um gramado e alguns outros pés, de outras frutas, no momento menos importantes.
Nenhum desses pés trás a marca, eternizada anos atrás no tronco mais grosso daquele pé de amoras, nenhuma outra fruta daquele gramado ofereceria um suco de cor tão forte, tão bela, tanto que pudesse ser usada, como foi, para substituir a caneta esquecida, tão precisa para poder estampar na pele branca, aquele pequeno verso criado de improviso.
E ali em meio a sombra oferecida pelas folhas e amoras, ele corria a fruta pelas costas, braços e pernas daquela que era sua alma gêmea. E ali deitada a mercê da criatividade e euforia daquele que era a metade da sua laranja, minto, ela nunca acreditou em metades, e essa historia de se completar, enfim, ali com aquele homem, diante daquela cena, digna de quadro, ela se sentia repleta de bons sentimentos, repleta da paixão tão cobiçada, repleta de tudo que representava estar viva.

